.png)
Por
A semana foi marcada por pressão no câmbio, com o dólar encerrando próximo a R$ 5,14 — e os motivos vieram principalmente de fora. O payroll de maio nos EUA, que veio bem acima das expectativas, derrubou as apostas de cortes de juros pelo Fed e pressionou as moedas emergentes de forma geral — o real, entre elas. Antes disso, o anúncio de uma possível tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros já havia dado aquela azedada no humor do mercado, não tanto pelo impacto direto nas exportações, cheias de exceções, mas pelo efeito sobre o fluxo de capitais e a confiança do investidor estrangeiro. Do lado doméstico, não faltaram boas notícias: a balança comercial de maio surpreendeu com superávit de US$ 7,8 bilhões (mais de 10,8% frente ao mesmo período de 2025), puxada pela agropecuária e pela indústria de transformação. Os bons números domésticos ficaram em segundo plano — desta vez, o exterior falou mais alto.

Na curva de juros, a semana foi de atenção redobrada — e os números dão o recado. O Boletim Focus mostrou a projeção do IPCA para 2026 subindo pela 12ª semana consecutiva, chegando a 5,09%, bem acima do teto da meta, com a Selic terminal mantida em 13,25%. O mercado, na prática, não enxerga espaço para cortes além dos que já estão na conta. No campo da atividade, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), de abril trouxe o quarto avanço consecutivo da indústria geral, puxado pelas extrativas — mas a transformação segue andando devagar, ainda sentindo o peso dos juros sobre quem depende de crédito para girar. É esse o nó que o Copom não consegue desatar tão facilmente: a economia resiste bem o suficiente para não pedir socorro, mas os setores mais sensíveis ainda acusam o aperto. Lá fora, o Livro Bege do Fed não trouxe surpresas — e só isso já bastou para manter a pressão nas taxas mais longas da curva local.


Um resumo dos principais acontecimentos de cada dia que podem influenciar na taxa de câmbio, tudo isso em menos de 1 minuto.
ouça agora