
Por
A semana foi marcada por volatilidade na taxa de câmbio, com o dólar oscilando em torno de R$ 5,00. A moeda americana chegou a ultrapassar esse nível na quarta-feira, pressionada por três fatores simultâneos: o ruído político interno com o vazamento de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master; a piora da percepção fiscal com a Medida Provisória que subsidia a gasolina usando receitas extraordinárias da Petrobras, e o cenário externo, com a posse de Kevin Warsh no Fed e seu discurso heterodoxo alinhado ao governo Trump. Apesar da resiliência demonstrada no início da semana — sustentada pelo diferencial de juros elevados, pelo superávit comercial ainda robusto e pelo fluxo estrangeiro —, o real não escapou da pressão generalizada sobre as moedas emergentes ao final do período, com a escalada do conflito no Oriente Médio pesando sobre o apetite por risco global e encerrou como uma das moedas emergentes que mais se desvalorizou.

Já a curva de juros teve uma semana de elevação, pressionada pela combinação do ruído político interno, deterioração da percepção fiscal com a MP do combustível e incertezas externas com a sabatina do novo presidente do Fed nos EUA. IPCA de abril, divulgado na semana, veio em linha com o esperado — mas com piora qualitativa, com destaque para a aceleração dos preços de combustíveis e alimentos, o que reforçou a leitura de um banco central que não tem espaço para acelerar o passo no ciclo de cortes. Com isso, as apostas do mercado se consolidaram em torno de uma Selic terminal mais alta do que o previamente esperado, contribuindo para manter os juros longos pressionados ao longo de toda a semana.


Um resumo dos principais acontecimentos de cada dia que podem influenciar na taxa de câmbio, tudo isso em menos de 1 minuto.
ouça agora