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Relátórios de economia
29/5/2026

Semana em Gráficos - 15/05 a 29/05

Por

Cristiane Quartaroli

Em uma semana cheia de eventos e indicadores, nossa taxa de câmbio oscilou próximo ao patamar observado na semana passada. Mesmo diante da incerteza ao redor da evolução do conflito no Oriente Médio, o câmbio se comportou relativamente bem por aqui. O preço do petróleo ainda em patamar elevado e a expectativa de uma Selic terminal (2026) elevada são os principais responsáveis por manter o câmbio nesse patamar. Além disso, o tom mais duro adotado pelo Banco Central (BC) ao longo da semana — reiterando o compromisso com a meta de inflação e o desconforto com as expectativas mais longas — ajudou a sustentar o real, na medida em que reduz o prêmio de risco exigido pelos investidores. Do lado externo, o dólar global não ofereceu nem alívio, nem pressão relevante, permitindo que os fundamentos domésticos predominassem. O resultado foi uma semana de relativa estabilidade cambial — o que, dado o nível de ruído no cenário internacional, pode ser lido como um sinal positivo sobre o posicionamento do mercado em relação ao Brasil.

Já a curva de juros seguiu pressionada, refletindo um conjunto de dados e sinalizações que reforçam o cenário de inflação resiliente. O IPCA-15 de maio ficou acima das expectativas do mercado, levando o acumulado em 12 meses para 4,64%, acima do teto da meta pela primeira vez no ano, o que manteve o mercado atento à trajetória do IPCA cheio de junho. Na mesma direção, o mercado de trabalho trouxe dados ainda fortes, com taxa de desemprego abaixo do esperado, sinalizando um mercado de trabalho que segue aquecido e que tende a sustentar pressão nos preços dos serviços. Com inflação acima do teto e emprego firme, não houve um ajuste das apostas de juros em cortes adicionais além do que já está precificado — e o tom mais duro do BC ao longo da semana corroborou essa leitura.

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