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Na semana que passou nossa taxa de câmbio voltou a atingir um patamar que não era visto desde janeiro de 2024, em uma combinação de fatores domésticos e externos. Aqui, os juros elevados continuam sustentando o ingresso de fluxo de capital estrangeiro para o Brasil. Pensando no cenário externo, o real foi beneficiado pelo enfraquecimento global do dólar diante das incertezas fiscais e institucionais nos Estados Unidos e pelo aumento do apetite ao risco após sinais de possíveis avanços nas negociações entre EUA e Irã. Por outro lado, o anúncio do Desenrola 2.0 e a ampliação do ativismo fiscal trouxeram um contraponto importante e minaram de alguma forma o comportamento mais positivo do câmbio. Ou seja, ainda é cedo para dizer que essa queda é tendência.

O mercado passou a precificar que os juros podem até continuar caindo nos próximos meses, mas de forma mais lenta e cautelosa, refletindo, principalmente, a leitura da última Ata do Copom. O documento mostrou um Banco Central mais preocupado com a inflação, destacando quatro pontos principais: 1. piora das expectativas inflacionárias para os próximos anos; 2. inflação atual acima do esperado; 3. risco de alta nos preços por conta do petróleo, e 4. preocupação com o aumento dos gastos e estímulos fiscais do governo. Com isso, os investidores passaram a entender que a Selic deve continuar elevada por mais tempo, principalmente diante de medidas como o Desenrola 2.0 e do cenário internacional ainda incerto por causa das tensões no Oriente Médio.


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