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5/3/26

Coreia do Sul no radar: o que pode mudar para exportadores brasileiros

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Michele Loureiro

Cristiane Quartaroli

A visita recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul recolocou a Ásia no centro da estratégia comercial para a balança comercial brasileira. Em um cenário global marcado por maior protecionismo e reorganização das cadeias produtivas, o movimento sinaliza mais do que um gesto diplomático: trata-se de uma tentativa de reposicionamento do Brasil no comércio internacional. O comércio bilateral entre Brasil e Coreia do Sul gira em torno de US$ 11 bilhões por ano e o país é nosso quarto maior parceiro na Ásia.

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Estimativas do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indicam que um eventual acordo Mercosul–Coreia poderia elevar o  PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em R$ 66,6 bilhões, além de impulsionar o investimento estrangeiro direto em cerca de 1,16%. Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o gesto diplomático precisa ser lido dentro de um contexto mais amplo de reconfiguração global. “Essa aproximação mostra um esforço do Brasil para reduzir a dependência de mercados como Estados Unidos e Europa e ampliar parcerias com países asiáticos economicamente dinâmicos. A Coreia do Sul aparece não apenas como mercado, mas como parceiro tecnológico”, afirma.

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Segundo ela, o movimento também responde ao ambiente internacional mais restritivo. “O cenário global mais protecionista, especialmente por parte dos Estados Unidos, reforça a necessidade de diversificação de mercados. A visita teve ênfase em cooperação estrutural, não apenas comercial pontual”, diz.

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Hoje, o padrão comercial entre os dois países é complementar. O Brasil exporta principalmente produtos agropecuários, minerais e bens da indústria de transformação, enquanto importa manufaturados e tecnologia de maior valor agregado. Esse perfil abre espaço para ampliação da corrente de comércio, sobretudo se houver redução de barreiras tarifárias.

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Entre os setores com maior potencial de ganho está a agropecuária. O Brasil tenta acessar de forma mais ampla o mercado sul-coreano de carne bovina há mais de duas décadas. A Coreia importa cerca de 500 mil toneladas por ano, movimentando aproximadamente US$ 6,9 bilhões. O diferencial de preço brasileiro — cerca de 30% inferior ao produto norte-americano — pode ser decisivo caso a auditoria sanitária prevista para 2026 resulte em aprovação.

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Outro eixo estratégico envolve minerais críticos. A Coreia depende de terras raras, níquel e lítio para sustentar sua indústria de semicondutores, baterias e eletrônicos. O Brasil, detentor de reservas relevantes, pode deixar de ser apenas fornecedor de minério bruto e avançar no processamento local, agregando valor à cadeia produtiva.

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A cooperação tecnológica também ganha espaço. Empresas como Samsung, LG e SK Hynix ampliam a interlocução com o Brasil em áreas como semicondutores, inteligência artificial, internet das coisas e governança digital. O diálogo bilateral inclui ainda saúde, genômica, hospitais inteligentes e indústria cosmética — segmento em que a Coreia exportou US$ 10,2 bilhões em 2024 e que pode ganhar maior fluidez regulatória no mercado brasileiro.

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Para Quartaroli, os efeitos macroeconômicos de uma aproximação estruturada tendem a se materializar no médio e longo prazo. “Uma estratégia bem executada de diversificação pode impulsionar crescimento, inovação e resiliência econômica. A abertura ao mercado asiático melhora a balança comercial se houver foco em produtos de maior valor agregado e reduz vulnerabilidades associadas à dependência de poucos compradores”, afirma.

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Há, no entanto, desafios conhecidos. Barreiras tarifárias e não tarifárias, exigências sanitárias, distância geográfica e volatilidade cambial seguem como obstáculos. “A flutuação cambial pode afetar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado asiático. Além disso, ainda temos dificuldade de exportar bens com maior valor agregado, o que limita a competição com manufaturas asiáticas mais sofisticadas”, diz a economista.

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Nesse contexto, instrumentos financeiros adequados e gestão de risco cambial tornam-se parte essencial da estratégia de internacionalização. A diversificação geográfica das exportações exige previsibilidade de fluxo de caixa e proteção contra oscilações cambiais, sobretudo em negociações de médio prazo.

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A Coreia do Sul não é uma aposta isolada, mas parte de uma agenda mais ampla de inserção asiática. O país já mantém presença industrial relevante no Brasil — Samsung em Manaus, Hyundai em Piracicaba, além de investimentos de LG, Kia e Posco. A comunidade coreana no Brasil é a maior da América Latina, reforçando laços históricos e comerciais. Mais do que ampliar o volume de comércio, a aproximação pode redefinir sua qualidade. Se bem executada, a estratégia reduz a dependência de mercados tradicionais, amplia o leque de parceiros e posiciona o Brasil de forma mais estratégica em um ambiente global cada vez mais fragmentado.

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Estrutura financeira como alavanca da internacionalização

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Nesse ambiente de expansão da corrente de comércio com a Ásia, a estrutura financeira passa a ser elemento central da estratégia empresarial. Com mais de quatro décadas de atuação em câmbio e comércio exterior, o Ouribank acompanha empresas brasileiras em processos de internacionalização, oferecendo soluções que vão além da operação pontual. A gestão de risco cambial, por exemplo, torna-se decisiva em mercados de maior distância geográfica e maior exposição à volatilidade. Estruturas de hedge adequadas ajudam a proteger margens e garantir previsibilidade de fluxo de caixa em contratos de exportação e importação de médio e longo prazo.

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Além disso, o banco disponibiliza instrumentos como financiamento à importação (Finimp), pagamentos internacionais estruturados e soluções customizadas de câmbio, sempre com atendimento personalizado e equipes especializadas em comércio exterior. A proposta é apoiar o cliente em todas as etapas da operação — da negociação ao fechamento de câmbio, da estruturação financeira ao cumprimento regulatório — oferecendo segurança operacional e inteligência de mercado para que a expansão para a Ásia ocorra com competitividade e menor exposição a riscos.

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