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3/12/25

Nova Tributação de Dividendos ao Exterior: quais as vantagens da antecipação?

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Michele Loureiro

A partir de 1º de janeiro de 2026, entra em vigor a nova tributação que passa a cobrar 10% sobre lucros e dividendos enviados ao exterior quando o acionista recebe mais de R$ 50 mil mensais de uma mesma empresa. A regra, criada para compensar a isenção de Imposto de Renda para brasileiros que recebem até R$ 5 mil mensais, transforma o ambiente de distribuição internacional ao encerrar um ciclo de isenção que durou quase três décadas. Nesse novo cenário, a antecipação de dividendos em 2025 aparece como estratégia para proteger margens e planejar 2026 com previsibilidade tributária e cambial.

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O impacto da mudança não é pequeno. Em 2024, as remessas de lucros e dividendos ao exterior somaram US$ 37,4 bilhões, segundo o Banco Central — alta de 18% em relação ao ano anterior. Trata-se de um fluxo robusto que abrange multinacionais, holdings internacionalizadas e empresas brasileiras com acionistas estrangeiros. Para todas elas, a incidência ocorrerá no momento da remessa, independentemente do setor ou tamanho da operação, afetando especialmente negócios com margens comprimidas ou políticas recorrentes de distribuição.

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Segundo Saulo Carvalho, superintendente comercial do Ouribank, essa nova dinâmica exige reorganização imediata. Com a tributação entrando em vigor em poucas semanas, a janela para remessas livres de imposto se encerra em 31 de dezembro de 2025. “Antecipar dividendos agora não é apenas uma questão fiscal: é uma decisão estratégica para proteger margens, neutralizar riscos e manter previsibilidade no planejamento do próximo ano”, afirma. Ele destaca que a antecipação ganhou ainda mais relevância diante do cenário de volatilidade internacional e do ambiente de juros elevados — o custo médio do crédito corporativo ultrapassa 20% ao ano em operações tradicionais, segundo estimativas de mercado.

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O mecanismo da antecipação reúne pilares que explicam sua adoção crescente. O primeiro é fiscal e garante as remessas até o fim de 2025. O segundo é cambial, já que ao realizar operações ainda em 2025, reduz-se a exposição às oscilações que marcaram o real nos últimos meses. O terceiro pilar é financeiro: com linhas estruturadas, a antecipação permite distribuir dividendos sem descapitalizar o caixa operacional ou elevar o endividamento formal da empresa. “A antecipação via crédito estruturado preserva a liquidez e evita que o negócio comprometa seu capital de giro”, explica Carvalho.

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Ambiente econômico

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A combinação de incertezas fiscais, juros elevados e maior escrutínio sobre operações de câmbio trouxe uma onda de reorganização entre empresas com atuação internacional. Levantamentos de consultorias apontam que mais de 40% das multinacionais brasileiras já iniciaram revisões de suas políticas de distribuição para acomodar a nova regra.

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Nesse contexto, instituições especializadas em câmbio corporativo e crédito estruturado passam a desempenhar um papel determinante. No Ouribank, a abordagem inclui planejamento de caixa e gestão de risco cambial numa mesma perspectiva consultiva. A atuação envolve condições competitivas para fechamentos cambiais, apoio técnico para remessas internacionais e linhas de crédito estruturadas que permitem antecipar dividendos dentro do período de isenção. “Não se trata apenas de executar a remessa. É alinhar o movimento ao ritmo financeiro da empresa, ao seu ciclo de caixa e à sua política de distribuição, garantindo eficiência e segurança”, afirma o executivo.

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Clientes que já iniciaram a reorganização tributária têm revisado políticas internas, acelerado repasses e sincronizado decisões de 2025 com as expectativas dos acionistas internacionais. Em muitos casos, a antecipação também compensa oscilações previstas na receita, permitindo que as empresas evitem remessas em momentos menos favoráveis do câmbio ou da conjuntura fiscal.

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O impacto mais amplo da nova tributação indica que, a partir do próximo ano, os fluxos de dividendos serão mais planejados, espaçados e alinhados a novas estratégias de governança. Empresas que realizarem a antecipação ainda em 2025 ganharão margem para redesenhar metas, ajustar políticas de distribuição e recalibrar expectativas com parceiros estrangeiros.

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No fim, a mudança reforça que remeter dividendos ao exterior deixou de ser uma rotina operacional para se tornar uma decisão estratégica. Para empresas que buscam previsibilidade, a antecipação aparece como o caminho mais racional. “A mudança tributária redefine as regras do jogo. Quem se organiza antes entra em 2026 com vantagens claras que incluem menos imposto, menos risco e mais controle sobre seus resultados”, diz o executivo.

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