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Michele Loureiro
O comércio exterior brasileiro segue em expansão em 2026. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a corrente de comércio do país alcançou US$ 361 bilhões entre janeiro e a terceira semana de julho, avanço de 8,2% sobre o mesmo período de 2025. No intervalo, as exportações cresceram 10,8%, para US$ 204,16 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 156,85 bilhões, alta de 4,9%.
Crescer, porém, também significa lidar com novos desafios: maior exposição cambial, necessidade de capital de giro, custos financeiros elevados e decisões cada vez mais rápidas.
Para empresas que importam ou exportam, o segundo semestre é um momento estratégico para revisar a estrutura financeira. Aqui estão seis pontos que merecem sua atenção.
A volatilidade cambial passou a fazer parte da rotina de empresas que negociam em moeda estrangeira. Embora o dólar acumule queda de aproximadamente 6,6% frente ao real em 2026, sua trajetória ao longo do ano foi marcada por movimentos expressivos, impulsionados pelas expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos e pelas incertezas do cenário geopolítico.
Mais importante do que acompanhar a cotação diária é se perguntar: quanto da minha receita está protegida? Empresas que importam insumos, exportam produtos ou mantêm contratos em moeda estrangeira, precisam avaliar se sua política cambial continua compatível com o perfil do negócio e com sua capacidade de absorver variações sem comprometer margens ou fluxo de caixa.
Quando essa exposição não é revisada periodicamente, decisões comerciais podem passar a depender do comportamento do câmbio. Instrumentos de hedge ajudam justamente a reduzir essa imprevisibilidade, permitindo que preços, contratos e investimentos sejam planejados com maior segurança.
Planejamentos elaborados no início do ano nem sempre refletem a realidade do segundo semestre. Mudanças no volume embarcado, prazos de pagamento e recebimento, custos logísticos e oscilações cambiais podem alterar significativamente a necessidade de capital de giro.
O agronegócio é um exemplo recente dessa dinâmica. Em 2026, exportadores de diferentes cadeias precisaram reavaliar contratos, mercados de destino e estratégias financeiras diante das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos e do aumento da instabilidade no comércio internacional. O cenário levou o governo federal a aprovar uma linha de até R$ 15 bilhões em crédito para empresas exportadoras e da agroindústria afetadas por essas mudanças, evidenciando como fatores externos podem alterar rapidamente a necessidade de financiamento das empresas.
Esse cuidado se torna ainda mais relevante em um ambiente de juros elevados. Com a Selic mantida em 15% ao ano, recorrer ao crédito apenas quando surge uma necessidade imediata tende a aumentar o custo financeiro da operação. Por isso, vale revisar se o fluxo de caixa previsto continua compatível com o ciclo operacional da empresa.
Quando necessário, soluções como capital de giro, antecipação de recebíveis e linhas estruturadas para comércio exterior permitem ajustar o financiamento ao ritmo da operação, reduzindo a pressão sobre o caixa e dando mais previsibilidade ao planejamento financeiro.
Nos últimos anos, os pagamentos internacionais deixaram de ser apenas uma etapa operacional do comércio exterior para se tornar parte da estratégia financeira das empresas. Tempo de liquidação, custos das transações, rastreabilidade, integração com sistemas internos e capacidade de operar em diferentes moedas passaram a influenciar diretamente a competitividade dos negócios.
Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla do mercado financeiro internacional, marcada pela digitalização dos processos, maior integração entre plataformas e desenvolvimento de soluções capazes de concentrar diferentes etapas da operação em um único ambiente.
Na prática, isso significa que serviços como cobrança internacional, pagamentos ao exterior, cobertura cambial multimoeda, antecipação de recebíveis de exportação e gestão integrada do câmbio deixam de funcionar de forma isolada e passam a compor uma estratégia única.
É essa lógica que orienta o Hub de Soluções para Comércio Exterior do Ouribank, desenvolvido para integrar operações financeiras e reduzir a complexidade da rotina de empresas que atuam no mercado internacional.
À medida que as operações crescem, também aumenta a distância entre o desembolso para produção ou importação e o efetivo recebimento das vendas. Em muitos casos, esse intervalo envolve produção, embarque, transporte internacional, desembaraço aduaneiro e prazos concedidos aos clientes.
Quando a estrutura de financiamento não acompanha essa evolução, cresce a necessidade de utilizar recursos próprios para manter a operação funcionando.
Nesse contexto, soluções de Trade Finance ganham importância por serem estruturadas especificamente para atender às necessidades do comércio exterior. Operações como ACC, ACE, Finimp e antecipação de recebíveis permitem adequar o crédito ao ciclo financeiro daempresa, preservando liquidez e oferecendo mais previsibilidade para o planejamento.
No Ouribank, a estratégia de financiamento vai além da oferta de linhas de crédito. O banco estrutura operações de acordo com o perfil da empresa, integrando crédito, câmbio e soluções para comércio exterior para que o financiamento acompanhe o ciclo da operação e contribua para uma gestão financeira mais eficiente.
O crescimento do comércio exterior brasileiro não significa apenas vender mais para os mercados tradicionais. Em 2026, novas oportunidades vêm surgindo em diferentes regiões do mundo. Dados do Monitor do Comércio Exterior Brasileiro mostram que o volume exportado pelo Brasil cresceu 29,9% para o Oriente Médio, 16,2% para a América Central e Caribe, 8,5% para a Ásia e 5,6% para a Europa.
Ao mesmo tempo, o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia amplia o potencial de acesso a um mercado de 722 milhões de consumidores, com Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 24,2 trilhões.
Entrar em novos mercados, porém, costuma demandar capital para ampliar estoques, adaptar produtos, alongar prazos comerciais ou financiar embarques antes do recebimento das exportações. Empresas que estruturam previamente sua capacidade financeira conseguem responder com mais agilidade a essas oportunidades e negociar em melhores condições.
No Ouribank, essa abordagem se traduz em um ecossistema que reúne operações de câmbio, Trade Finance, crédito para empresas, pagamentos internacionais, cobertura cambial multimoeda, antecipação de recebíveis de exportação, risco sacado cross-border e consultoria especializada. A proposta é apoiar importadores e exportadores na construção de uma estratégia financeira integrada, capaz de acompanhar a evolução dos negócios e responder com mais eficiência aos desafios de um mercado internacional cada vez mais dinâmico.
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