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Michele Loureiro
Cristiane Quartaroli
O ano de 2026 deve se consolidar como um período de transição para a economia global e para o Brasil, marcado por um equilíbrio delicado entre vetores de acomodação e novas fontes de incerteza. Após um ciclo prolongado de inflação elevada, juros restritivos e forte volatilidade financeira, o cenário começa a abrir espaço para ajustes graduais na política monetária internacional. Ainda assim, riscos geopolíticos, tensões comerciais e fatores domésticos seguem impondo desafios à previsibilidade econômica e ao comportamento do câmbio. Para empresas com exposição ao dólar, compreender esses movimentos será decisivo para o planejamento financeiro ao longo do próximo ano.
No Brasil, o comportamento da economia e do câmbio em 2026 deve ser determinado principalmente pela política monetária e pelo ambiente político. Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, mesmo com a perspectiva de cortes graduais da Selic ao longo do ano, a taxa básica deve permanecer em um patamar elevado em termos históricos, preservando um diferencial de juros relevante em relação às economias desenvolvidas. “Isso tende a sustentar a entrada de capital estrangeiro e a favorecer um comportamento mais estável do câmbio, sobretudo no primeiro semestre”, diz.
Para a economista, esse efeito ocorre menos pela direção pontual da Selic e mais pela comparação internacional. “Mesmo com cortes aqui e lá fora, o Brasil ainda deve manter uma taxa de juros bastante atrativa em termos relativos”, afirma. Segundo ela, esse cenário continua sendo um dos principais fatores de suporte para o real, ao estimular o ingresso de fluxo financeiro e reduzir pressões cambiais no curto prazo.
O retrato atual, no entanto, convive com um fator estrutural de volatilidade: o calendário eleitoral. A proximidade das eleições tende a aumentar a sensibilidade do mercado a ruídos políticos, fiscais e institucionais. “É fato que teremos uma taxa de câmbio mais volátil aqui no Brasil, principalmente no segundo semestre, por conta das eleições”, observa Cristiane. Em sua avaliação, anos eleitorais historicamente concentram movimentos de correção e reprecificação de risco, o que limita uma trajetória mais consistente de apreciação da moeda.
Assim, ainda que os fundamentos favoreçam algum alívio cambial, o espaço para um dólar significativamente mais baixo parece restrito. “A taxa de câmbio pode até desacelerar ao longo do ano, mas não de forma muito acentuada”, resume a economista. Além disso, o ritmo mais moderado de crescimento da economia brasileira e as incertezas relacionadas à trajetória fiscal e da dívida pública seguem no radar dos investidores, influenciando a formação de expectativas e o prêmio de risco do país.
No ambiente externo, o pano de fundo também é marcado por ambivalência. De um lado, há sinais de acomodação monetária; de outro, persistem riscos relevantes. “As tensões comerciais e uma possível reorganização das cadeias globais continuam no radar”, afirma Cristiane. Embora disputas entre grandes economias tenham perdido intensidade recentemente, o tema permanece latente. “Mesmo com uma trégua aparente entre Estados Unidos e China, essas tensões ainda estão presentes e continuam influenciando o cenário global.”
A política monetária norte-americana segue como um dos principais vetores para o comportamento do dólar em 2026. Na leitura da economista, o Federal Reserve deve avançar no ciclo de cortes, ainda que de forma cautelosa. “O Banco Central americano deve continuar reduzindo juros, mas com bastante prudência”, afirma. A expectativa é que a taxa básica encerre o ano entre 3% e 3,25%, o que representaria um corte acumulado de cerca de 0,75 ponto percentual. Esse movimento tende a reduzir a força do dólar no cenário global, abrindo espaço para moedas de países emergentes.
“Juros mais baixos nos Estados Unidos tendem a enfraquecer o dólar de forma geral”, explica Cristiane, ressaltando que esse efeito pode beneficiar o real, especialmente quando combinado a um diferencial de juros ainda elevado no Brasil. Ainda assim, ela alerta que riscos geopolíticos e financeiros podem provocar episódios pontuais de volatilidade, alterando rapidamente o humor dos mercados.
Diante desse conjunto de fatores, o cenário para 2026 aponta para um câmbio menos pressionado estruturalmente, mas ainda sujeito a oscilações relevantes ao longo do ano. Para as empresas, isso reforça a importância de uma gestão financeira mais estratégica, capaz de antecipar movimentos e reduzir assimetrias.
Por isso, frentes como planejamento de fluxo de caixa em moeda estrangeira, uso de instrumentos de hedge e decisões mais criteriosas sobre momentos de fechamento de câmbio ganham centralidade em um ambiente de transição e incerteza. Nesse contexto, o Ouribank possui um hub de soluções para auxiliar as companhias na construção de estratégias financeiras mais resilientes e alinhadas ao cenário macroeconômico. Com uma experiência de quatro décadas e especialistas experientes, o banco possui soluções personalizadas para todos os portes de negócio.
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