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11/6/26

A economia da Copa: como o maior evento do futebol influencia mercados e empresas

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Michele Loureiro

A poucos dias do início da Copa do Mundo, marcado para 11 de junho, governos, empresas e investidores voltam suas atenções para um dos maiores acontecimentos do planeta. Muito além do futebol, o torneio movimenta cadeias inteiras de turismo, transporte, varejo, publicidade, tecnologia e serviços, gerando efeitos que atravessam fronteiras e alcançam diferentes setores da economia -- e chegam até mesmo ao câmbio.

As projeções ajudam a dimensionar essa escala. Estudos ligados à FIFA estimam que a Copa de 2026 poderá gerar mais de US$ 40 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB) global, atrair cerca de 6,5 milhões de visitantes e movimentar quase US$ 14 bilhões em gastos turísticos. A expectativa é de que a competição contribua para a criação de mais de 800 mil empregos em diferentes países e setores da economia.

Os benefícios, porém, não se distribuem de forma homogênea. Como anfitriões do torneio, Estados Unidos, Canadá e México tendem a concentrar os maiores ganhos, impulsionados pelo aumento do fluxo turístico, pelo consumo de serviços e pelos investimentos realizados para atender à demanda gerada pelo evento.

Além dos efeitos sobre esses setores, a Copa do Mundo também costuma gerar reflexos nos mercados financeiros, especialmente nos países anfitriões. O aumento da entrada de visitantes, dos gastos internacionais e da circulação de divisas tende a fortalecer temporariamente a demanda por moeda local e ampliar a atividade econômica em setores diretamente ligados ao evento.

Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, esses movimentos costumam ser mais perceptíveis nos países-sede e raramente provocam mudanças estruturais nos mercados. “O efeito mais relevante costuma aparecer nas moedas locais, via entrada de divisas e maior demanda por moeda doméstica. No geral, o mercado financeiro absorve esses movimentos sem grandes distorções estruturais”, afirma.

Isso ocorre porque a Copa é amplamente antecipada por investidores, empresas e governos. Diferentemente de crises geopolíticas, mudanças abruptas de política econômica ou choques inesperados, seus efeitos já costumam estar incorporados às expectativas muito antes do início das partidas. Ainda assim, a competição ajuda a ilustrar uma característica cada vez mais importante da economia atual: a velocidade com que acontecimentos internacionais podem influenciar mercados, custos e estratégias empresariais.

Quando a preparação vale mais que a previsão

Nos últimos anos, companhias brasileiras passaram a conviver com uma sucessão de fatores capazes de alterar receitas, despesas e decisões de investimento em questão de semanas. Pandemia, conflitos internacionais, reorganização das cadeias globais de produção, inflação elevada e ciclos de juros mais agressivos ampliaram a percepção de risco e exigiram maior sofisticação na gestão financeira.

Esse movimento teve impacto direto sobre a forma como exportadores e importadores passaram a lidar com o câmbio. “Planejar receita ou custo em dólar sem uma política de hedge cambial deixou de ser uma opção aceitável. Hoje as empresas mais maduras trabalham com janelas de proteção mais longas, diversificação de moedas e monitoramento constante do cenário externo”, afirma Quartaroli.

A mudança é especialmente relevante para setores que convivem diariamente com custos dolarizados, como transporte aéreo, logística e importação de insumos. Nesses segmentos, oscilações cambiais podem afetar margens, competitividade e capacidade de planejamento de forma quase imediata.

Mas a necessidade de preparação vai além das empresas diretamente ligadas ao comércio exterior. Em um ambiente globalizado, acontecimentos ocorridos em diferentes partes do mundo podem influenciar preços, custos de produção, cadeias de suprimento e decisões de investimento em praticamente todos os setores da economia.

A própria dinâmica da inflação ajuda a ilustrar esse fenômeno. Em relatório recente, o Ouribank destacou que parte das pressões observadas nos preços ao longo de 2026 foi alimentada por fatores externos, como a escalada do conflito no Oriente Médio, que impulsionou o petróleo e acabou afetando combustíveis, fretes e custos logísticos em diferentes atividades econômicas. O episódio mostra como acontecimentos ocorridos a milhares de quilômetros de distância podem rapidamente chegar ao orçamento de empresas e consumidores brasileiros.

Nesse contexto, a principal lição deixada por uma competição como a Copa talvez não esteja nos efeitos temporários que ela provoca, mas na importância do planejamento. Assim como países, patrocinadores e organizadores passam anos se preparando para um evento dessa dimensão, empresas expostas ao mercado internacional precisam construir mecanismos capazes de enfrentar períodos de maior instabilidade sem depender de decisões tomadas sob pressão.

“Companhias bem preparadas têm políticas cambiais definidas antes da turbulência chegar. Elas não reagem ao cenário; elas se antecipam e se preparam para ele”, afirma a economista. Essa preparação envolve desde instrumentos de proteção cambial até acesso a informações confiáveis, acompanhamento permanente do ambiente econômico e capacidade de transformar análise em tomada de decisão. “Em ambientes voláteis, a vantagem está em não precisar tomar decisões importantes sob pressão”, diz Quartaroli.

A Copa do Mundo dura poucas semanas. Seus impactos mais visíveis sobre turismo, consumo e atividade econômica também costumam ser temporários. Já os fatores que realmente moldam o ambiente de negócios — inflação, juros, câmbio, geopolítica e comércio internacional — permanecem em campo o ano inteiro.

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Everyday economy

A summary of the main events of each day that may influence the exchange rate, all in less than 1 minute.

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