blog
24/11/22

Radar Comex: especialistas do Banco Ourinvest fazem um balanço sobre os indicadores recentes

Por

Michele Loureiro

A última edição de 2022 do podcast Radar Comex, que aborda comércio exterior e macroeconomia, fez um balanço da economia brasileira nos últimos meses. O programa contou com a presença de três executivos do Ouribank, a economista-chefe Fernanda Consorte, a economista Cristiane Quartaroli, e Welber Barral, estrategista de comércio exterior.

Fernanda ressaltou uma resiliência importante no crescimento da economia nacional. Segundo ela, dados recentes de pesquisa de comércio e serviço tem apresentado crescimento acima do esperado, com isso o mercado revisou a alta do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano. “A estimativa agora está próxima de 3% neste ano com a conjunção dos indicadores de confiança melhores. O crescimento é positivo, bom pra imagem do país, mas quando olhamos para 2023 ainda há dúvidas e as projeções não são muito auspiciosas”, disse.

Cristiane disse que o mercado projeta crescimento baixo do PIB para 2023, inferior a 1%. “Boa parte disso é reflexo da alta taxa de juros praticada no Brasil. Havia uma expectativa de que o Banco Central começasse a reduzir a taxa no segundo semestre de 2023, mas os índices de inflação recentes voltaram a ficar mais pressionados”, afirmou.

Após alguns meses de deflação, o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país, voltou a subir pressionado pela alta nos preços dos alimentos. “Alguns economistas avaliam que o Banco Central pode até fazer um ajuste residual nos juros para conter esse movimento, mas ainda é cedo para pensar nisso. Acreditamos que os dados ainda são pouco conclusivos e devemos aguardar novos indicadores”.

Risco fiscal no centro das discussões

Para Barral, além desse contexto, o calcanhar de Aquiles do Brasil é o risco fiscal. “A situação é complicada e o governo tem promessas como reajuste do salário mínimo e a questão de voltar o Bolsa Família no patamar de R$ 600. Ainda há outros programas sociais, como de cultura e farmácias, que não estavam previstos no orçamento”, explicou.

Segundo o executivo, há uma pressão fiscal sobre o país, que já tem questões a serem resolvidas, como por exemplo o corte de recolhimento de ICMS nos estados, que fez cair a arrecadação. “Dependemos de decisões de caráter econômico, que podem vir de aumento de impostos ou da PEC adicional, que prevê gastos extras da ordem de R$ 150 a R$ 200 bilhões”.

A consequência dessa incerteza é vista no comportamento do mercado financeiro. “O mercado fica nervoso com o temor do impacto para o ano que vem, por manter ou subir a taxa de juros. Afinal, isso implica diretamente em investimentos, endividamento ou crescimento da dívida pública. É um ciclo vicioso que o novo governo precisa mostrar que sabe como resolver”, disse Barral.

Taxa de câmbio: volatilidade é a única certeza

Cristiane disse que a taxa de câmbio está extremamente volátil nas últimas semanas. “Depois do segundo turno das eleições assistimos uma estabilidade pela definição do novo governo, mas ela durou pouco e nas últimas semanas o Real foi uma das moedas emergentes que mais se desvalorizou por conta da indefinição sobre o futuro das contas fiscais”, afirmou, lembrando o risco país mais alto.

Entre as incertezas que pesam na volatilidade cambial também está também a indefinição da equipe ministerial  e os fatores externos. A guerra na Europa, que não mostra sinais de arrefecimento, e impacta no custo de energia e de produção, além da situação mais morosa de recuperação dos Estados Unidos e Europa também pesam.

“Neste contexto, o Brasil deve ter um salto na balança comercial, por conta das commodities, mas a rentabilidade das exportações tem caído por conta do aumento do custo internacional”, disse Barral.

Além disso, a China, maior parceiro comercial do Brasil, vem apresentando dados de desaceleração por conta da política de Covid Zero, que apesar das medidas de relaxamento, comprometeu os números de produção. “Os emergentes são os que mais sofrem com esse cenário”, diz Fernanda.

Mais alguns detalhes

Barral destacou que há muita especulação no mercado e acredita que quando a equipe do novo governo for anunciada a situação será amenizada. “Tradicionalmente os governos novos tem uma lua de mel com o mercado que dura os cem primeiros dias de mandato, período onde se tenta estabelecer uma base e se coloca as prioridades para avançar nas prioridades”.

Os participantes entraram em consenso ao dizer que a expectativa fica em torno de observar como vão avançar as reformas, para que 2024 seja um ano melhor. “Precisamos de um sistema tributário menos anárquico, de previsibilidade jurídica para ter crescimento, emprego e renda. O desafio é tirar tudo isso do papel”, disse Barral.

Confira o bate-papo na íntegra clicando aqui e acompanhe o Ouribank nas redes sociais para ficar por dentro das questões de economia e comércio exterior

ouça nosso podcast!

Economia do dia a dia

Um resumo dos principais acontecimentos de cada dia que podem influenciar na taxa de câmbio, tudo isso em menos de 1 minuto.

ouça agora