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CAUSA: a cautela que domina os mercados globais continua sendo alimentada por um conjunto de incertezas que se sobrepõem e se reforçam mutuamente. As tensões geopolíticas no Oriente Médio, que levaram à interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz — pressionam os preços das commodities e afetam direta e indiretamente a inflação global, adicionando volatilidade significativa aos ativos. É nesse ambiente que a atenção dos investidores se volta para a chamada Super Quarta, quando ocorrem simultaneamente as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. É esperado que o Fed mantenha os juros inalterados (intervalo entre 3,5% e 3,75%) nesta decisão, com mercado precificando probabilidade superior a 85% por essa manutenção. Já aqui no Brasil, o mercado se divide entre um novo corte de 0,25 p.p. ou a possibilidade de aceleração para 0,50 p.p. na Selic, hoje em 14,75%, condicionada a alguma redução nos preços do petróleo e na incerteza global. Ou seja, o ciclo de afrouxamento já começou — mas o ritmo e a magnitude dos próximos passos seguem em aberto.
CONSEQUÊNCIA: Diante desse ambiente nebuloso, os mercados tendem a adotar uma postura defensiva. A trajetória dos preços do petróleo, o comportamento do câmbio e a evolução das expectativas de inflação serão os termômetros que vão definir se o Copom tem condições de acelerar o ritmo de cortes ou se precisará manter a cautela. Nos EUA, o choque do petróleo empurrou as expectativas de corte de juros para o final de 2026, com analistas sinalizando que o Fed deve permanecer em espera pelo menos até setembro. Esse movimento de busca por proteção tende a fortalecer o dólar globalmente. No entanto, o real encontra suporte no diferencial de juros ainda bastante elevado. O Copom reforçou que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, mantendo postura de cautela em cenário de maior incerteza. Assim, as decisões de amanhã — e, principalmente, o tom das comunicações do Fed e do Copom — serão determinantes para calibrar expectativas sobre o diferencial de juros, o fluxo de capitais e a trajetória cambial nas próximas semanas.

Um resumo dos principais acontecimentos de cada dia que podem influenciar na taxa de câmbio, tudo isso em menos de 1 minuto.
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