
Por
Michele Loureiro
A busca por proteção cambial vem ganhando força entre as empresas brasileiras. No Ouribank, o volume de operações de hedge — incluindo trava de câmbio e NDF — cresceu 40% em 2025, na comparação anual, refletindo uma mudança de comportamento: mais do que reagir ao mercado, companhias passam a estruturar estratégias para reduzir riscos e garantir previsibilidade financeira.
O movimento ocorre em um ambiente de câmbio ainda instável. Em 2026, o dólar começou o ano acima de R$ 5,40, recuou ao longo dos primeiros meses e chegou a operar abaixo de R$ 5 em abril, mas segue sujeito a oscilações relevantes. Para empresas com exposição à moeda estrangeira — seja na importação, exportação ou contratação de serviços —, essa volatilidade pode comprometer margens e dificultar a formação de preços.
Nesse cenário, o hedge cambial deixa de ser uma ferramenta sofisticada e passa a ser uma necessidade operacional. A questão, para muitos empresários, não é mais “se” devem fazer proteção, mas “como” estruturar essa estratégia. “O primeiro passo é entender exatamente o fluxo financeiro da empresa, saber onde estão as receitas e as obrigações em moeda estrangeira. A partir disso, é possível definir o que precisa ser protegido”, afirma Saulo Carvalho, Superintendente Comercial do Ouribank.
Um dos erros mais comuns, segundo o executivo, é tratar o câmbio como oportunidade de ganho. “Muitas empresas ainda tentam ‘apostar’ na direção da moeda, acreditando que o dólar vai subir ou cair. Não há como prever o mercado, e uma notícia inesperada pode inverter completamente o cenário”, diz.
A consequência, na prática, pode ser a perda de margem. “A empresa precisa entender que o lucro vem do seu produto ou serviço, não da variação cambial. O hedge existe para trazer previsibilidade e tranquilidade para a gestão financeira”, afirma Carvalho. Para ele, essa mudança de mentalidade é central para a adoção mais ampla da proteção cambial. Em vez de buscar o melhor momento, empresas mais estruturadas passam a adotar políticas contínuas de hedge, alinhadas ao fluxo de caixa e ao ciclo operacional.
A definição do instrumento mais adequado depende, principalmente, do nível de previsibilidade da operação. Quando a empresa já tem valores, prazos e beneficiários definidos — como no caso de uma importação com invoice emitida —, a trava de câmbio tende a ser a opção mais direta. Trata-se de um contrato de câmbio com liquidação futura, que fixa a taxa desde o início e elimina o risco de variação até o pagamento.
Já em situações com menor previsibilidade, o NDF (Non Deliverable Forward) se destaca pela flexibilidade. “O NDF é um derivativo que pode ser utilizado mesmo quando a empresa ainda não tem todos os detalhes da operação definidos, como data exata ou beneficiário. Ele também pode ser aplicado em despesas como frete internacional ou impostos”, explica Carvalho.
Apesar da crescente adoção, muitas empresas ainda não possuem uma política interna de hedge — o que pode gerar insegurança no momento da decisão. É nesse ponto que o papel do banco ganha relevância. “É comum o empresário ter dúvidas ou receio de começar. Nosso papel é justamente apoiar nesse processo, mostrar exemplos, esclarecer e ajudar a estruturar uma política de proteção adequada à realidade de cada negócio”, afirma o executivo.
Com mais de quatro décadas de atuação no mercado, o Ouribank acompanha empresas de diferentes portes, desde pequenos prestadores de serviços com receitas recorrentes em moeda estrangeira até grandes importadores e exportadores. A experiência acumulada se reflete na capacidade de adaptar soluções às necessidades específicas de cada operação, considerando variáveis como prazo, volume e perfil de risco. “Cada operação requer personalização. Por isso, contar com uma equipe experiente é essencial”, diz o superintendente do banco.
Antes de definir entre trava de câmbio e NDF, a empresa precisa responder três perguntas simples — e decisivas:
1. Você já sabe exatamente quanto vai pagar, quando e para quem?
Se a resposta for sim, a operação é mais previsível — e a trava de câmbio tende a ser a opção mais adequada, pois fixa a taxa e elimina o risco de variação.
2. Ainda existem incertezas sobre valores, datas ou custos envolvidos?
Nesse caso, faz sentido buscar mais flexibilidade. O NDF permite proteger o câmbio mesmo sem todos os detalhes fechados, sendo útil para despesas como frete, impostos ou contratos em aberto.
3. Sua empresa tem operações maiores ou uma estratégia financeira mais estruturada?
Para empresas com maior volume ou exposição contínua ao câmbio, é essencial falar com um especialista do banco, permitindo atuar com mais planejamento em mercados organizados.
Regra prática: quanto maior a previsibilidade da operação, mais simples tende a ser o instrumento. Quanto maior a incerteza, mais flexível ele precisa ser.
O que é:
Você fixa hoje o valor do dólar para um pagamento futuro.
Quando usar:
Quando já sabe exatamente quanto, quando e para quem vai pagar
(ex.: importação com invoice já definida)
Nível de previsibilidade:
Alta
O que é:
Você protege o câmbio sem precisar fechar toda a operação.
Quando usar:
Quando ainda existem incertezas sobre data, valor ou detalhes da operação
(ex.: frete, impostos ou ajustes finais)
Nível de previsibilidade:
Média
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