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CAUSA: o Relatório Focus desta semana, divulgado ontem pelo Banco Central, trouxe uma novidade importante. Depois de 15 semanas de alta consecutiva, as projeções do IPCA para o final deste ano ficaram estáveis. Claro que o patamar ainda não é nada amigável, acima do teto da meta, mas seria essa uma sinalização relevante sobre a percepção dos agentes econômicos? Arrisco dizer que sim e deixo aqui os motivos: 1. foi a primeira vez em alguns meses que um resultado de inflação também veio abaixo do esperado (o IPCA-15 de junho, divulgado na semana passada); 2. o preço do petróleo caiu bastante desde que foi anunciada a abertura do Estreito de Ormuz, ainda que existam dúvidas sobre a persistência desse cenário; 3. O Copom reduziu a Selic, mas ainda temos uma taxa de juros relativamente alta e restritiva. Será uma tendência para a inflação no Brasil ou foi apenas um movimento pontual?
CONSEQUÊNCIA: Se essa estabilidade das projeções se confirmar nas próximas semanas, o mercado poderá começar a enxergar um cenário mais favorável para a inflação à frente. Isso não significa que o problema esteja resolvido, já que os índices ainda permanecem acima da meta, mas pode representar o início de uma mudança de percepção, após meses de deterioração das expectativas. Uma inflação mais comportada tende a reduzir a pressão sobre a política monetária, aumentando as chances de novos cortes de juros no futuro. Por enquanto, porém, ainda é cedo para decretar uma tendência. Os próximos resultados de inflação, a evolução dos preços das commodities e o comportamento da atividade econômica serão determinantes para confirmar se estamos diante de uma mudança mais consistente ou apenas de um alívio temporário.

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