
Por
Michele Loureiro
As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passaram a incluir o Pix no debate comercial com o Brasil, chamaram atenção para um tema que vai além de um sistema específico de pagamentos. Ao questionar modelos digitais desenvolvidos e operados por autoridades monetárias, o discurso reforça uma discussão mais ampla sobre concorrência, regulação e o papel das infraestruturas financeiras nacionais em um ambiente global cada vez mais digital.
Esse posicionamento aparece também em documentos oficiais do governo americano, que apontam preocupações com o fato de o Pix ser uma solução criada e regulada pelo Banco Central. Segundo a avaliação apresentada no início de abril, haveria o risco de tratamento preferencial a sistemas domésticos, com possíveis impactos sobre a competitividade de fornecedores internacionais de serviços financeiros. Embora o tema esteja inserido em uma agenda mais ampla de comércio e regulação, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos acabou ganhando destaque como exemplo dessa dinâmica.
Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, apesar da polêmica, o impacto direto dessas declarações tende a ser limitado. “As falas têm mais efeito sobre a percepção de risco do que sobre a operação em si. No curto prazo, podem gerar ruído e alguma volatilidade, especialmente se vierem acompanhadas de ameaças comerciais, como tarifas ou sanções”, afirma. Segundo ela, esse tipo de movimento pode afetar o câmbio e os ativos domésticos, mas não altera os fundamentos do sistema.
Isso porque o Pix já se consolidou como a principal infraestrutura de pagamentos do país. Com mais de 150 milhões de usuários, o sistema combina liquidação instantânea, baixo custo e ampla acessibilidade — fatores que impulsionaram uma rápida adoção em diferentes segmentos da população. “A confiança tende a se recompor rapidamente, porque existe um forte respaldo institucional e uma adesão massiva da sociedade”, diz a economista.
Além da conveniência para o usuário, o impacto do Pix se estende à economia como um todo. A digitalização dos pagamentos contribui para a redução do uso de dinheiro físico, amplia a formalização e aumenta a rastreabilidade das transações. Ao mesmo tempo, promove a inclusão financeira de uma parcela significativa da população.
Nesse contexto, o sistema também passa a ter uma dimensão estratégica. Ao reduzir a dependência de infraestruturas privadas internacionais, o modelo brasileiro se insere em uma tendência mais ampla de fortalecimento de soluções nacionais. “Esse tipo de iniciativa acaba inspirando outros países. Não se trata de um risco operacional relevante, mas de uma disputa por espaço no sistema financeiro global”, afirma a economista-chefe do Ouribank.
É justamente dentro dessa disputa por espaço que o avanço do Open Finance ganha relevância no país, ampliando o alcance das transformações iniciadas com o Pix e adicionando uma nova camada ao sistema financeiro: a dos dados. Ao permitir o compartilhamento padronizado de informações financeiras entre instituições — sempre com consentimento do cliente — o Open Finance altera a lógica de funcionamento do setor, ao estimular maior competição, reduzir assimetrias de informação e incentivar a oferta de produtos mais personalizados e eficientes.
“A gente passa a ter um ambiente com mais competição entre bancos e fintechs, o que tende a gerar soluções mais eficientes e melhor experiência para o cliente”, afirma Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.
Na prática, isso se traduz em uma melhora na alocação de crédito, com decisões mais precisas e alinhadas ao perfil de risco de cada cliente, além de ampliar o acesso a serviços financeiros. Também reduz barreiras de entrada, criando um ambiente mais dinâmico, no qual diferentes instituições passam a competir em condições mais equilibradas.
Os próximos passos desse modelo apontam para uma integração ainda mais profunda entre pagamentos, crédito e serviços financeiros. A tendência é de ampliação do escopo de dados, maior interoperabilidade entre plataformas e o desenvolvimento de jornadas financeiras cada vez mais integradas, com menos fricção para o usuário. “A combinação entre Pix e Open Finance coloca o Brasil entre os sistemas financeiros mais avançados do mundo em termos de infraestrutura digital”, diz a economista.
Segundo ela, esse ecossistema integrado fortalece o ambiente de negócios ao reduzir barreiras de entrada, aumentar a eficiência na alocação de crédito e melhorar a experiência do usuário. Nesse ambiente, a atuação dos bancos também se transforma. A intermediação tradicional dá lugar a uma atuação mais consultiva e integrada, na qual a capacidade de interpretar dados, oferecer soluções sob medida e garantir segurança nas operações se torna central.
É nesse contexto que ganha importância contar com parceiros financeiros que não apenas acompanham essas mudanças, mas têm experiência para traduzi-las em soluções práticas. Com mais de 40 anos de atuação, o Ouribank combina conhecimento de mercado, solidez institucional e proximidade no atendimento para apoiar clientes e empresas em um cenário cada vez mais dinâmico.
Ao integrar tecnologia, expertise e um olhar personalizado sobre cada operação, o banco se posiciona como um facilitador nesse novo ambiente financeiro — conectando inovação a necessidades reais, com segurança, eficiência e agilidade.
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