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9/2/22

Open Banking: como a transformação do setor financeiro afeta sua vida

Por

Michele Loureiro

Talvez os conceitos de Open Banking e Open Finance ainda não sejam familiares para muitos brasileiros, mas com certeza você já notou as mudanças práticas que as iniciativas do Banco Central vêm gerando no setor financeiro brasileiro nos últimos meses.

Um exemplo prático dessa transformação é o PIX.  O meio de pagamento instantâneo entrou em vigor em novembro de 2020 e já tem mais de 380 milhões de cadastros no Brasil. Desde o início, as operações superam 9 bilhões de PIX realizados.

Esse processo é um dos resultados de uma revolução no sistema bancário do Brasil, que vem em linha com uma evolução que acontece ao redor do mundo. Muitos países já realizaram grandes mudanças e servem de exemplos para nós.

Mas, afinal, o que são Open Banking e Open Finance? Em suma, são iniciativas encabeçadas pelo Banco Central para colocar o sistema financeiro do País no caminho da digitalização e da transparência sem iguais.

“O Open Banking, ou sistema financeiro aberto, é a possibilidade de clientes de produtos e serviços financeiros permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes instituições autorizadas pelo Banco Central e a movimentação de suas contas bancárias a partir de diferentes plataformas e não apenas pelo aplicativo ou site do banco, de forma segura, ágil e conveniente”, explica Leandro Carbone, CIO|CTO do Ouribank.

Ele destaca que, com a permissão de cada correntista, as instituições se conectam diretamente às plataformas de outras instituições participantes e acessam os dados autorizados pelos clientes. “Todo esse processo é feito em um ambiente seguro e a permissão poderá ser cancelada pela pessoa sempre que ela quiser”, diz o executivo.

O tal “serviço aberto” foi criado pelo Banco Central do Brasil para possibilitar que os dados da conta de um cliente, como informações cadastrais e histórico de transações, sejam compartilhados de forma padronizada – por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações) – com instituições devidamente reguladas, de maneira segura e rápida.

A ideia central é trazer mais competitividade para o setor, além de mais praticidade e opção de escolha ao consumidor. Tudo isso com respaldo na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).

Enquanto o Open Banking pode ser descrito como um primeiro passo para o sistema financeiro aberto, o Open Finance aparece como um degrau a mais nessa escalada e deve ser o responsável por movimentar ainda mais o setor financeiro brasileiro.

Além de bancos e fintechs, o Open Finance prevê que outras entidades, como corretoras de seguros, plataformas de investimentos e fundos de pensão, participem desse sistema regulado pelo Banco Central.

Tudo isso acontece em fases para que haja tempo de consumidores e instituições financeiras se adaptarem.

Onde estamos agora?

Segundo o Banco Central (BC) a fase atual marca o início da migração de produtos e serviços tradicionais para o modelo de Open Finance.

Leandro explica que a fase 4 está em andamento. “Trata-se da fase que permite que as instituições financeiras compartilhem dados referentes a operações de câmbio, serviços de credenciamento, contas de depósito a prazo, produtos de investimento, seguros e previdência complementar aberta”, diz.

Como referência no mercado de câmbio, com mais de quatro décadas de experiência, o Ouribank faz parte dessa transformação e trabalha para oferecer o maior leque de produtos do segmento de câmbio. O foco é em adequação às novas necessidades dos clientes, sempre com atendimento rápido e seguro realizado por agentes especializados.

Nas operações de câmbio, farão parte do compartilhamento da fase 4 os seguintes dados: Valor Efetivo Total (VET) e taxa de câmbio. Os dados referentes ao credenciamento, por sua vez, incluem tarifas e taxas de serviço.

Muito além do PIX

O Open Banking causa uma revolução para todos os agentes do mercado financeiro e, também, para os clientes. Desde as operações de câmbio, até as transações do dia a dia, tudo terá alteração para garantir mais transparência.

Nas operações de retaguarda, por exemplo, o Open Banking proporciona aos varejistas os recursos necessários para melhorar a eficiência de suas operações de crédito. Por exemplo, como o sistema facilita a migração de contas para outras instituições financeiras, o varejo poderá negociar condições comerciais mais eficientes. Seja conseguindo descontos com o atual banco, ou migrando para outro que ofereça uma condição melhor, o resultado é o mesmo: redução de custos nas atividades financeiras.

Além disso, as operações de recebíveis do varejo se tornarão ainda mais valiosas, já que o comércio poderá negociar esses créditos em condições mais vantajosas com mais instituições financeiras. Como consequência, as empresas podem aumentar o capital de giro, ganhando competitividade.

Como o histórico de relacionamento com a instituição financeira poderá ser transportado para outras instituições, o varejista terá informações completas sobre sua capacidade de pagamento e necessidade de captar recursos. Essa transparência é uma informação muito importante para o aumento da governança.

Com o aumento da concorrência pela prestação de serviços financeiros, surgirão instituições financeiras especializadas em determinadas modalidades de crédito. Dessa forma, haverá mais flexibilidade para realizar algumas transações com um banco ou outro a partir das melhores condições oferecidas.

Um sistema financeiro mais aberto traz uma série de benefícios para as estratégias comerciais e para o relacionamento da empresa com fornecedores, parceiros e clientes. Os dados de crédito poderão ser compartilhados com instituições financeiras para melhorar o score da empresa junto aos fornecedores, o que viabiliza prazos de pagamento mais elásticos e melhores condições comerciais. Com isso, o varejo aumenta sua capacidade de geração de caixa.

Na prática, o Open Banking permite que as redes varejistas criem condições mais favoráveis de pagamento para os clientes com melhor histórico de pagamento. Em um futuro que não está distante, será possível parcelar as compras da Dona Maria em seis vezes e entender que, para o Senhor Joaquim, essa mesma condição tem um risco alto demais, por exemplo.

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