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1/9/22

ACC e ACE: como funcionam as ferramentas ideais para o exportador

Por

Michele Loureiro

As estatísticas mais recentes apontam que o Brasil possui cerca de 22,8 mil empresas exportadoras. Independente do porte ou área de atuação, há pelo menos duas dificuldades que são comuns entre todas elas: a administração do fluxo de caixa e a variação cambial.

Afinal, o processo de recebimento pelas mercadorias pode levar meses e os custos da produção acabam ficando por conta do exportador, que precisa encontrar ferramentas que garantam que os valores não saiam do planejamento por conta do câmbio.

Justamente para garantir que a roda gire e que o câmbio não seja um problema para esses negócios que vivem de remessas do exterior, os empresários brasileiros podem recorrer a operações de exportações e antecipar o recebimento dos recursos por meio de ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) e ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues).

ACC e ACE são duas ferramentas fundamentais para que os exportadores garantam o fluxo de caixa e tenham previsibilidade na hora de contabilizar o faturamento.

Como funciona o ACC?

Quando um exportador fecha o contrato com um importador, mas precisa de recursos para produzir suas mercadorias, ele pode usar a antecipação do câmbio futuro. Esse é o papel do ACC, modalidade em que o empresário nacional procura um banco autorizado a operar em câmbio e pede um financiamento para a fase de produção ou pré-embarque.

Essa modalidade ajuda os empresários a arcar com matéria-prima, folha de pagamento dos funcionários e custos gerais da produção antes do embarque das mercadorias. O exportador pede ao banco o adiantamento do valor em reais correspondente ao contrato de câmbio já firmado com o importador e assim, além de receber o montante, também fixa a taxa de câmbio da sua operação de exportação e garante o seu lucro em reais.

Como funciona o ACE?

No caso do ACE, também há uma antecipação de recebimentos de uma exportação, mas esse valor só é concedido após o embarque das mercadorias. Segundo João Costa Pereira, Head de Trade Finance do Ouribank, esse formato é indicado para empresas que já têm caixa para produzir a mercadoria, mas querem ter previsibilidade da data de recebimento, além do controle da taxa cambial.

“Os exportadores que querem receber os pagamentos de forma imediata e garantir um câmbio fixo podem usar o ACE”, explica.

ACE têm taxas menores

Em ambas as operações não há valores mínimos ou máximos para contratação. Os custos, juros da operação, têm como referência a taxa de juros da moeda contratada, normalmente o dólar americano. Porém, segundo o executivo, os valores das taxas praticadas para o ACE são menores quando comparado ao ACC.

“Isso acontece por conta do risco de performance. No caso do ACC, a mercadoria ainda nem foi produzida e pode haver problemas na fabricação e consequentemente no embarque, já no ACE os materiais foram enviados e os riscos são menores”, diz o executivo.

De acordo com Pereira, a operação de ACE ajuda na composição de fluxo de caixa das empresas exportadoras. “Afinal, elas não precisam ficar esperando, 60, 90, 120 dias ou até mais para receber os pagamentos e sujeitas às oscilações do câmbio. Tudo fica acertado no momento do embarque e o exportador já pode partir para um novo negócio”, explica.

No Ouribank houve um aumento expressivo de ACE no último ano. “As empresas exportadoras acabam usando a modalidade como um financiamento, o que é vantajoso já que o custo é menor do que uma operação em reais, um empréstimo tradicional, por exemplo. Outro ponto importante é que não há incidência de imposto no ACE”, diz Pereira.

Uma garantia adicional

Além disso, o Ouribank ainda dá uma garantia adicional para os exportadores que optam pelo produto ACE Ourinvest. “Se eventualmente um importador não pagara mercadoria, o banco não cobra nada do empresário brasileiro e se encarrega de lidar com a cobrança no exterior”, diz João.

Isso porque o Ourinvest realiza uma minuciosa análise de crédito de importadores em 90 países e analisa a situação financeira das empresas antes de realizar as operações. Ou seja, assume os riscos de crédito da transação.

Segundo o executivo, essa iniciativa é exclusiva do banco e acaba sendo um diferencial. “Isso ajuda até mesmo na internacionalização dos clientes, uma ferramenta para o crescimento das exportações, uma vez que avisamos constantemente quais são os importadores em dificuldades e mapeamos os melhores destinos de exportação”, diz.

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